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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

TAO BONITINHA

Ela era tao meiga!
Toda pequeninha!
Um jeitinho manso de falar!
Mas, as aparências enganam!
Ela não era um anjo, e nem queria ser!
Seres humanos, isso é o que todos nos somos, ou tentamos ser!
Ele era bonitão, alto, de porte atlético!
Comia ela sempre, na salinha do almoxarifado!
Advogado, solteiro, morava em um bom apartamento!
Aos fins de semana não dormia sozinho!
Ela era moça simples se matava pra pagar um aluguel de um JK mixuruca aonde se escondia na zona norte, la do outro lado da cidade!
Tava cheia de esperança!
Matheus era o nome do estagiário com o qual ela almoçava, tomava cafezinhos, pedia opinião sobre as roupas e claro, falava dele, do advogado!
Ela dizia:
— Elas tem inveja de mim por que eu sou da faxina e ele é advogado!
Estava certa as outras meninas (secretarias, advogadas, as do RH, gerentes e psicóloga) falavam mesmo!
Matheus escutava, hipnotizado pelos olhos dela!
Um dia ela estava terminando de fumar um cigarro e a copeira veio chamá-la, dizendo que o Sr. Aroldo queria lhe falar. (o dono da firma)
A copeira viu os olhos de Matheus ao ver ela apagar o cigarro rápido e subir correndo as escadas!
— Psiu, vê se não te engana com essa menina, tu vai te machucar... ela não é pra ti!
Mais era tarde, Matheus já estava mais do que enganado!
Pensava nela sempre.
Pensava nela muito.
Um dia estalaram câmeras na salinha do almoxarifado.
Filmaram tudo.
Pela frente, e por trás!
Duas câmeras!
Peitos e bunda!
Em vez de só denunciar ao Sr. Aroldo alguém, por sacanagem, mandou por e-mail o video para todos!
Matheus viu.
Ele não chorou!
Mas doeu!
Obviamente ela foi demitida!
Obviamente o advogado continuou!
A copeira encontrou Matheus descendo a escada ela passou por ele é fez uma cara do tipo “é viu só”!
Seres humanos, é tudo o que podemos ser!



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

E LA VAMOS NÓS!


CÃO SARNENTO


Fazer um curso de verão, sobre como usar as mãos.
Como usar a boca.
E deixar que o corpo controle a mente.
Tudo isso em um domingo.
Voltar para a casa e guardar a depressão em uma caixinha de sapatos no fundo do armário!
Cheio de esperanças, cheio de ideias!
Ate que o sono chega e acaba com o dia!
E depois então, acordar.
Meia hora depois... acordar.
Suado.
Sem entender nada.
Atrasado.
Mas, sem compromisso nenhum.
Você lembra de mãos e bocas.
E já não tem certeza se é verão.
Acorda arrepiado.
Com frio.
Cala frio.
E uma leve dor de cabeça.
Então ao trocar de roupa encontra no fundo do armário uma caixinha de sapatos.
Dentro dela há lembranças.
Doces lembranças.
Sorrisos, domingos, mãos, bocas, amores...
E os olhos se enchem d'água.
E o pavor ressurgi como um demônio alado envolto em fogo.
O silencio da casa preenche seus ouvidos com aquele zunido do inferno.
A noite é longa são mil horas.
Você lembra do curso de verão!
De bocas e mãos.
Lembra do domingo.
Mas já é segunda.
É madrugada.
O diabo está ao seu lado.
Dentro de sua cabeça.
Você geme.
E vai ate o banheiro.
Pedir ajuda.
Aos remédios.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

MINHA MULHER


Minha mulher quer emagrecer.
Ela acha que não é o meu padrão de mulher.
Pelas manhas, sempre que está bem-disposta, ela faz o meu café.
Quando não esta afim fica la deitada, com aquela bunda gigante para cima, abraçada no bebe.
Minha filha!
Minha mulher cuidou de mim quando tive catapora!
Eu peguei catapora aos 27 anos.
Nos não tínhamos nem um mês de namoro.
Mas cuidou de mim como se tivéssemos bodas de ouro já!
Eu nunca pedi que ela fizesse meu café, nunca pedi que cuidasse de minha catapora!
Todos os dias, á noite, ela faz meu almoço para o outro dia!
Todos os dias!
Todos!
As vezes ela parece um gato!
Sabe aqueles gatos que ficam se roçando em nossa perna pedindo carinho?
Então ela diz coisas como: “eu quero um chocolatinho”, “quer um sorvetinho?”, “me da um beijinho?”.
Eu fico la, no sofá, sentado tentando entender o porquê de tudo isso!
Quando estamos vendo TV na cama ela vem se chegando, de pouquinho em pouquinho!
Quando dou por mim, já esta quase dentro de minha boca!
Minha mulher tem ciúmes!
Do meu passado!
De minhas ex-namoradas!
De meus olhos!
Das garotas da TV.
De algumas desgraças que me aconteceram na vida!
Quando braba ela fica calada!
Fica olhando pro ar com cara de desentendida.
Eu pergunto: o que foi?
Ela responde rindo: nada!
Minha mulher é insegura!
Eu queria dizer a ela o tamanho da besteira que é ser assim!
Queria provar para ela que sou todo seu!
E que, inclusive, não sou grande coisa!
Mas me calo!
Fico quieto!
As vezes eu fico pensando em coisas como: “será que elefantes ficam grudados quando acasalam?”, “as minhocas cagam?”, “como eu gostaria que aquele avião la no alto, tao pequeno, fosse um O.V.N.I”. E ela fica me olhando, como quem quer saber no que penso!
Até que não se aguenta e pergunta: No que você está pensando?
Eu respondo: em nada!
E então ela fica com aquela cara de peido, perturbada por não saber o que penso!
Minha mulher é paciente!
Ela ouve todo tipo de lorota que sai da minha boca!
Se quero lhe mostrar uma música nova, ela ouve.
Se quero ler para ela, ela escuta.
Eu não sei como consegue!
Eu não sou assim!
Um dia eu tirei sarro de um amigo na frente de outros amigos, porque ele faz tudo que sua mulher lhe “pede”. Então quando chegamos em casa, minha mulher disse: por que você falou com ele assim? Ele é seu amigo!
Eu fiquei com a cara la no chão!
Ela tem a capacidade de despertar um penar em mim, que não sei da onde vem!
Uma vez, em uma discussão, ela me disse que eu a estava maltratando!
Aquilo foi a mesma coisa que cravar uma faca em meu peito!
Nunca uma mulher conseguiu fazer isso.
Nem minha mãe no auge de todos os berros ou palmadas, desperto esse sentimento de culpa e
vergonha tao forte em mim!
Ela me deu de natal um uma bermuda, uma camiseta e um chinelo havaianas.
Ela comprou para ela uma bicicleta.
Essa é minha mulher!
Agora ela está fazendo academia!
Quer perder de vez a barriguinha que sobrou do parto!
E eu lhe digo: Nega isso é normal, essa barriga some com o tempo, não fazem nem 6 meses que a Sophia nasceu! Tente apenas parar de comer sorvetinhos e chocolatinhos!
Ela responde: você tá me chamando de gorda!
Assim é minha mulher.
Todos os dias, minha!
Todos os dias, mulher!
Mas sempre!
Sempre!
Dela mesma!