POEMA DEFUNTO
È preciso agilidade e rapidez para salvar alguns poemas, esses do avesso, que escrevo.
E será necessário qualquer coisinha pequena e tecnológica.
Mp3, mp4, pen drive...
Para guardar os poemas que guardam muitas coisas que eu não consigo ou não quero guardar.
Inevitável é escrever.
Expressar.
Exprimir.
Faço das lembranças uma pasta zipada, o que nela não guardo deixo nos poemas.
Aberto ao público, para não ser lido, admirado, compreendido ou compartilhado.
É preciso agilidade e uma certa dose de inutilidade e ódio para guardar poemas que já nascem mortos e esquecidos.
Que não falam do belo, poemas sem açúcar ou sal.
È o peso da vida sobre minha cabeça.
O peso de minha cabeça sobre os poemas.
Poemas vampiros, se alimentando dos momentos açucarados, da vida.
Entregam tudo. Nem sempre falam do belo.
E, no entanto não existe um poema que não roube um momento de vida!
Sim vida!
Toda essa incrível força misteriosa que se espalha de todas as formas contaminando tudo a nossa volta.
A imaginação é o seu lar, malditos sonhos, querem substituir nossa alma tão cheia de desprazeres.
Não existe beleza na miséria.
E é só por isso que existem poemas...
Não existe beleza na miséria.
E a vida pouco se importa com isso...
Não existe beleza na miséria.
Poemas defuntos em minha cabeça...
...Comendo pequenos pedaços de vida.
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