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terça-feira, 27 de agosto de 2013
MANUAL DE UM SONHO
Não demonstre o que
sente quando o que sente é demais...
Demonstre o que quer,
deixe bem claro o que você quer.
Faça isso sempre!
Não tente acertar de
primeira, ninguém acerta de primeira.
Faça pensando em você,
mas mantenha a concentração.
Concentre-se
suficientemente para analisar bem.
Quando ela não estiver
olhando, esse é o melhor momento, para você admirar.
Mas não admire o
obvio.
O obvio todos admiram.
Cuide aonde o olhar
dela mora.
Leia seu rosto, por
inteiro, boca, olhos, sobrancelhas, testa, queixo...
Veja com o que ela
gasta sua atenção.
E se ela derrepente
perceber seu olhar, apenas sorria.
Não há mais nada a
perder.
Você já está com
ela.
Basta apenas preservar.
Aprenda a usar a força
delicadamente.
Demonstre certo
desinteresse, sem ser esnobe.
Não fale feito um
papagaio, mas escute como uma coruja.
Adote uma regra básica:
Abra a boca para fazê-la sorrir.
E nos momentos felizes
agarre-a com força sem dizer bobagens.
Não se trata de um
galo e uma galinha, trata-se de um homem e uma mulher.
Por isso não fale
nada, apenas ouça.
Gemidos e suspiros:
você os provoca, desfrute dos verdadeiros.
E lembre-se: NADA, mas
absolutamente NADA disso ela deve saber!
Ela não tem que
saber...
Ela tem que sentir.
Românticos são
otários, malandros são estúpidos...
Você é um homem!
Haverá dias em que ela
vai se sentir triste ou esquecida, como em um pesadelo.
Nesses dias seja como
um chocolate!
Se não funcionar, seja
um daqueles bem amargos, para que ela volte à realidade.
E quando ela voltar à
realidade, transforme tudo em um sonho novamente.
E vá degustando até
que ela parta.
Todas partem.
Mas não se preocupe,
logo vira outra!
Aproveite!
Você já sabe o que
fazer.
Sim você já sabe.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
MELHORIA CONTINUA
Ele se atirou de costas
na parede largando todos aqueles 120kg no chão.
Em seguida apertou com os
dedos os olhos e foi descendo limpando o suor do nariz.
O calor era de fuder, e o
vento trazia o cheiro podre de algum animal morto que ele não sabia
onde estava.
Somente uma brisa abafada
pelo mormaço lhe fazia companhia.
Era um patio enorme e
lotado de carros recém-chegados da fabrica.
Em um canto perto da
cantina, um pavilhão de madeira que mais parecia uma panela quente,
estavam três colegas. Era possível ouvir os múrmuros e algumas
risadas de longe.
Mas não estavam falando
dele, não desta vez.
Ele abriu uma sacola e
de dentro retirou metade de um cachorro quente.
Sempre de regime, sempre.
Vestia um macacão
branco.
Completamente podre de
sujo.
Todos usavam macacões
assim.
Ele trabalhava em uma
multinacional famosa e eles diziam que o branco era pra mostrar
transparência.
Que era diferente, era,
nenhuma outra oficina tinha macacões brancos.
Agora o que eles queriam
transparecer, ninguém entedia. Talvez fosse a sujeira!
Enquanto comia observava
o velho responsável por todos ali, ele era uma espécie de gerente.
Tinha uma cara de louco e
estava sentado em uma cadeira branca de plástico em baixo do sol,
sol de 38 graus. Puta que pariu! 38 graus! O velho fumava um cigarro e
olhava pro nada como se estivesse no inferno. Estava com uma camisa
social de mangas compridas e uma gravata preta, tinha gel no cabelo e
um sapato já bem usado. O velho estava lá, fumando um cigarro,
feito um louco.
Dois colegas seus saíram
da cantina trocando tapas e dando risada.
Ele estava na metade da
metade do cachorro quente.
Já bem perto um deles,
apelidado Cowboy, gritou:
— E ai gordo, o que tem
de bom ai.
Ele fechou a cara e
começou olhar para baixo:
— Cachorro-quente. —
respondeu.
— De novo, puta que
pariu hein! É foda não ter mulher! — Disse isso e começou a rir.
O outro riu. Logo estavam
sentados ao lado dele:
— Bateu quantas hoje
gordo? — Perguntou Cowboy.
— Não enche Cowboy. —
Respondeu olhando pra baixo e ainda de cara fechada.
O baixinho continuou a
conversa:
— Escuta gordo a gente
não tem culpa se tu não pode enxergar teu pau.
— È – Acrescentou,
Cowboy rindo.
O que o nosso amigo devia
fazer era enfrentá-los, mas ele não conseguia nem sequer olhar no
rosto deles. Continuava la, de cabeça baixa, 120 kg de vergonha:
— Escuta gordo, tu nunca comeu ninguém? — Perguntou Cowboy cutucando o baixinho ao lado.
Nosso amigo continuou
calado:
— Hum, quem cala
consente hein – disse o baixinho.
Alguns outros colegas
chegaram, deviam ser uns cinco, formaram um circulo em sua volta
todos de pé. O nome de um deles era Nilo. E ele perguntou a Cowboy:
— Tá e ai Cowboy,
qualé que vai ser?
— E ai! To aqui
trocando uma ideia com o nosso amigo gordo — respondeu Cowboy:
— Tá e ai gordo, vai
compra ou não vai comprar um sutiã? — disse Nilo.
Todos começaram a rir,
riam sem parar. Nilo acrescentou:
— Olha ali, se o cara
corta um pedaço da teta desse gordo da pra acaba com a fome da
Africá.
As risadas aumentavam e
nosso amigo começava a ficar enjoado:
— Hein gordo, minha
sogra de repente tem um sutiãs pra te vende – disse um negro alto
mais ao canto:
— Tá mas será que vai
cabe nessa jamanta, negão? — Perguntou Cowboy
— Pois é, também tem
isso né.— e seguiu rindo.
Nosso amigo começou a se
levantar. Era um esforço para ele fazer isso.
Todos pararam de rir e um
silencio se fez. Ele não queria olhar para a cara deles mas podia
imaginar quais seriam. Suas costas doíam e ele colocava toda a força
do corpo em um só braço.
Quando já estava quase
de pé deixou cair uma garrafa com o resto de refrigerante no chão:
— Tá loco! —
Exclamou Cowboy.
Logo todos, aos poucos,
voltaram ao trabalho.
Nosso amigo gordo ainda
teria a tarde inteira.
A pior parte era na hora
de se trocar no vestiário, onde ficavam todos reunidos.
As vezes seu desodorante
não funcionava, bem, seus colegas percebiam isso.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
NOITE SUJA
Tente entender a noite amor!
Não precisamos de “nós dois”.
Nós precisamos, um do outro.
Você me acha rabugento apenas por não
ter me conhecido antes.
Oh sim... eu já fui um amor de pessoa!
Você me daria razão se conhecesse meu
passado.
E se tivéssemos nos conhecido lá,
você ainda faria parte do meu presente.
Agora se pra você é tao importante
estar comigo, ature-me!
Eu tive muitos amigos quando era mais
novo.
Onde estão eles agora?
Tente escutar o barulho das ruas, é o
barulho do caos querida!
Cabe a você decidir se gosta ou não.
Você já parou pra pensar o que esses
prédios já viram?
O que esses apartamentos já abrigaram?
Não existem pessoas de bem... existem
apenas pessoas.
E quem decide se gosta, ou não gosta,
é você!
Mas tente entender a noite.
Ela reflete aquilo tudo que escondemos
ao dia.
Por anos me alimentei dela.
Dormia o dia inteiro e só saia depois
das 18h.
Semanas assim...
E sabe de uma coisa?
Eu não lembro dos motivos, se é que
eles existiram!
Eu saia por não ter o que fazer.
Bom hoje tenho contas, casa, filhos e
um celular que não serve pra nada e toda hora cai no chão!
Já não saio a noite.
Entro em casa tomo uma cerveja, janto,
assassino o banho, deito e durmo.
Mas eu sei o que está acontecendo lá
fora.
Ha ruídos, latidos, barulhos e motos.
Posso imaginar o que são cada um
desses mistérios.
Ha muito tempo por aqui, que eu não
ouço grilos.
Ha muito tempo por aqui, que o tempo
não passa.
Os tempos de madrugadas e sujeira se
foram para mim.
Eu não ganhei nada com eles.
Eu nem sei se eu queria.
E nao há como virar a página querida!
Isso aqui não é um livro.
DO AVESSO
Escrever é fácil.
Difícil é viver de verdade.
Eu sou o avesso do poema.
Eu falo das flores murchas.
Da sujeira das ruas.
Da poluição dos carros.
De domingos nublados.
E não me importo se rima.
Se ficou bonito.
Eu não sou bonito.
Alias... quase ninguém é.
Tente ver o poema no rosto triste de
uma criança sendo maltratada.
Na fome através de um corpo seco.
Na senhora gorda, já velha, pedindo
esmola.
Podia ser sua mãe.
O poema do centro.
Cinza e sujo.
Completamente doentio.
A facilidade de se passar por um
esfomiado, viciado, morrendo lentamente feito um rato envenenado e
não se chocar, é toda a nossa poesia.
Os cavalos maltratados com o lombo
doido.
As carroças lotadas de lixo.
Pessoas vendendo lixo, por centavos.
Pessoas comendo lixo por fome.
Toma, ta ai a grande poesia.
Todo poema é fantasia.
Não passa de uma mentira bonita.
Eis aqui a realidade.
Eis aqui o poema.
Comparado a esse mundo, nos vamos viver
pouco camarada.
Esta ai algo positivo.
É um grande alívio pensar assim.
A maioria pensa em Deus, mas ele não
passa de um poema.
Um poema mal contado.
Quanta mentira a nesse mundo.
Quanta lorota.
Tudo para fugirmos da verdade.
Para poder esquecer o feio, nós
inventamos o belo.
E esquecemos de nós mesmos.
E já não sabemos mais quem somos.
Já não passamos de um sonho, perdido
na realidade.
Escrever é fácil.
Refletir também.
Eis aqui o poema verdadeiro.
Bem diferente de toda fantasia de nossa
cabeça doente.
VOCE LERA E TERMINARA ENTENDENDO
MAL!
E se de repente você se afastasse dos
amigos e se concentrasse em você?
Se desse mais atenção ao seu primeiro
filho!
Se desse mais atenção a sua mulher!
Se ajudasse mais a sua mãe!
Se não andasse mais com tanta coisa na
cabeça!
Se você parasse de fumar!
Se essa barriga sumisse!
Se acordasse bem, sem muito sono e
preguiça todos os dias da semana!
Se voltasse a olhar a cidade com os
mesmos olhos de onze anos atrás!
Se parasse de sonhar com as estrelas!
Se fosse apenas você, seus filhos, sua
mulher e sua mãe.
Sem fantasmas.
Sem culpas.
Bem mais leve.
Se limpasse a sujeira.
Se não procurasse mais o que tanto te
desgasta!
Se esquecesse o mundo!
Você quer chorar quando beija seu
filho.
Quando vê os nervos de sua mulher.
Quando se depara com a solidão de sua
mãe.
Você tem flashes da infância.
Flashes da adolescência.
Ha partes em sua memória que estão em
branco.
Você não sabe se é bom ou ruim.
Se não fosse assim como é?
Se você tivesse grana para fazer todos
felizes.
Se fosse menos humano e mais perfeito.
Se tivesse paciência.
Se a magia existisse.
Se um deus fosse certo.
Se morresse e se encontrasse com
pessoas maravilhosas do outro lado.
Se o paraíso existisse.
Se o amor realmente fosse um sentimento
pleno e não um ideal inconsciente.
Se todos os poetas estivessem certos.
Se o açúcar da vida fosse eterno.
E você não precisasse mais escrever
ou compor.
Apenas ser... tudo aquilo... que não
é.
478.358.476 POEMA DE AMOR
Eles falam de amor como se este fosse
açúcar.
Tao covardes me parecem alguns poetas.
O amor está atrás dos excessos.
Dentro de bares.
Nas noites de sexta.
Por trás dos suicidas.
E não somente em nossos corações.
Não!
Ele está nos olhos e no sorriso de
quem se ama.
No final da tarde.
Nas manhas de domingo.
No sorriso de um filho.
Na alegria de uma mãe.
Naquele seu melhor amigo.
No olhar perdido das viúvas.
Nas coxas de sua mulher.
No sanduíche que ela prepara.
E não é uma coisa doce.
O amor é um soro, para tudo aquilo que
é a sua ausência.
O mundo real.
O amor é um colapso.
Uma substância que se alastra
lentamente.
E quem pode dizer o que é, e o que não
é amor?
Feche os olhos e veja!
Ele NAO EXISTE.
É apenas uma sensação, um engano.
Uma projeção.
O amor é uma coisinha mínima dentro
de nos!
O que devemos analisar e, refletir, é
o quanto essa coisinha mínima nos faz enlouquecer!
Falo de loucura mesmo!
De gente atirada em depressão em
manicômios.
Falo de sequestrar a ex namorada e
enfiar-lhe um tiro na cabeça!
Do marido traído, que mata seu melhor
amigo.
Da mocinha magoada que se suicida!
Tudo isso por uma PROJEÇAO!
Ah o amor... o amor e toda a sua
luxuria e hipocrisia.
O que é que não fazemos por essa
mentira não é!
Como é fácil louvar o amor!
Dizer que ele é maravilhoso!
Lembro-me de acordar feliz, e ir para a
escola sem tomar café.
De ficar com a barriga vazia e ardendo
ate as 9:30 da manha quando serviam a merenda!
Eu estava ridiculamente apaixonado.
eu devia ter uns 12 anos.
E o recreio era a hora mais mágica.
Era a hora em que eu a via.
Então guardava aquela imagem o dia
todo e procurava lembrá-la antes de dormir, para ver se eu
conseguiria sonhar! E muitas vezes sonhava!
E quando eu batia uma punheta eu jamais
pensava na minha “donzela”, oh não!
Isso seria um crime!
O amor nos deixa assim meio otários!
Bem hoje em dia ela já possui três
filhos e esta do tamanho de uma orca!
Dai eu te pergunto, e o amor?
O AMOR QUE SE FODA!
Já pensou se meu sonho tivesse se
realizado e eu tivesse casado com ela?
Bem só narrei esse pedaço idiota da
minha vida, para voltar a bater na tecla.
O AMOR É UMA PROJEÇAO, ELE NAO É
REAL!
É um sentimento medíocre que nos faz
idolatrar uma pessoa qualquer!
Se analisarmos bem veremos que o amor
em si não é bonito!
O que é bonito são os atos e atitudes
que cometemos por ele!
No entanto.
Somos seus escravos, do amor não
podemos fugir.
E eu novamente baixo a cabeça.
Para esse, que no final sempre nos
vence.
O FRIO, O ESCURO E O VENTO.
Quem sabe o que acontece em um terreno
baldio afastado da cidade ás 23:07 da noite?
Quem pode dizer o que faz os cães
latirem e uivarem?
Ninguém pode dizer nada sobre aquele
casal, aparentemente feliz, do apartamento 204.
Ninguém vê o que se passa dentro da
cabeça de dona Matilde, entrevada em uma cadeira de rodas olhando
para o nada, com um sorriso leve e debochado, enquanto seus netos
perturbam o sossego dos vizinhos.
Ninguém viu você ontem a noite
enquanto uma chuva fina caia sobre os telhados sem fazer barulho,
silenciosa como um bandido.
Deitado entre os pais um garotinho
sente-se seguro.
Ele está longe de tudo aquilo que não
sabe que existe.
Tudo que o aguarda.
Ninguém conhece a solidão daquele
velho sujo e pançudo que mora na oficina para a segurança
patrimonial do patrão.
Você não sabe a que horas o
açougueiro dorme, como ele dorme ou se ele dorme.
Você não pode traduzir os gemidos e
miados dos gatos da madrugada.
Ouvem-se rumores e histórias.
Algumas viram lendas.
Muitas não chegam a luz da realidade,
ao conhecimento do público.
Longe da hospitalidade fria dos
hospitais, muitos outros sofrem.
Ouvem-se os aviões.
O aeroporto é perto.
Cercado de mato.
Por vezes a noite faz-se uma fogueira,
sim, existe alguém no escuro.
Existe alguém no mato.
Tanto faz quem seja.
Ninguém quer descobrir.
O que esta perdido vaga por ai.
Mas já esqueceu que ainda vive.
E esquecer da vida é pior do que
morrer.
Você não para pra pensar quantos e
quantos a madrugada já devorou.
O vento frio e a chuva rala são um
anúncio.
O cheiro do ar não é o mesmo de
sessenta anos atrás.
Muita coisa mudou.
Os ladroes não roubam mais galinhas.
Os velhos já notaram isso.
Os jovens se arriscam.
Muitos não voltam pra casa.
Outros nem querem voltar.
O SAGRADO MATRIMONIO
No dia em que tudo der errado eu compro
uma moto e sumo.
A fim de me de desintegrar de uma vez.
Curioso para saber qual será a última
imagem que esses olhos irão ver.
Dormindo os últimos dias em hotéis na
beira da estrada.
Comendo em restaurantes modestos e
simples, muitas vezes sujos.
Observando a vida.
Desistindo de entendê-la.
Vou levar comigo um mapa múndi, apenas
por levar.
Quero parar em um dia quente na beira
da estrada, acender um cigarro, abrir o mapa e analisá-lo.
Depois continuar viajando, totalmente
sem conhecimento de para onde estou indo.
Assim é a vida.
Um gigantesco mapa com todos os dados e
informações necessários para um viajante.
Um mapa múndi que apenas olhamos e
analisamos, mas nunca identificamos onde estamos, nunca sabemos onde
vamos chegar ou quando a viajem acaba.
Talvez eu pare embaixo de uma árvore e
lembre de alguns pedaços da minha vida.
Então eu desista de lembrar, e naquele
momento eu enjoe de toda essa trágica opera humana e pela última
vez tente viver plenamente.
Somos como um peixe tentando respirar
fora da água, amigo, a vida toda.
Apenas eu, uma moto e esse mundo.
Tao pequeno.
Quem sabe eu tenha sorte de pegar dias
ensolarados.
De céu azul.
Ter a sorte de encontrar um campo
verde, verde, verde... sem mais nada além do verde.
E la eu me deite e olhe para o céu e
me afunde no azul.
E meus olhos se encham de céu.
E eu sinta o vento.
Então fecharei os olhos e sentirei ela
bem perto.
E para minha surpresa ela não será
gelada como falam.
Tudo em minha volta será muito
confortante, como um útero.
Não haverá terror, medo e nem sequer
dor.
Sentirei em meu peito apenas um leve
afago!
E então um sentimento de certeza
dominara minha cabeça.
Uma certeza desconhecida, mas um ótima
certeza.
E essa se juntara a todas as outras
coisas que eu pensava que conhecia e dominava.
Como se todos os sentimentos
resolvessem se mostrar de uma forma direta e não mais abstrata.
Então o escuro dos meus olhos
dominaria o mundo.
E esse não existiria mais.
E eu descobrirei que nunca sai do mesmo
lugar.
E que sempre fui a única coisa que
existe.
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