O SAGRADO MATRIMONIO
No dia em que tudo der errado eu compro
uma moto e sumo.
A fim de me de desintegrar de uma vez.
Curioso para saber qual será a última
imagem que esses olhos irão ver.
Dormindo os últimos dias em hotéis na
beira da estrada.
Comendo em restaurantes modestos e
simples, muitas vezes sujos.
Observando a vida.
Desistindo de entendê-la.
Vou levar comigo um mapa múndi, apenas
por levar.
Quero parar em um dia quente na beira
da estrada, acender um cigarro, abrir o mapa e analisá-lo.
Depois continuar viajando, totalmente
sem conhecimento de para onde estou indo.
Assim é a vida.
Um gigantesco mapa com todos os dados e
informações necessários para um viajante.
Um mapa múndi que apenas olhamos e
analisamos, mas nunca identificamos onde estamos, nunca sabemos onde
vamos chegar ou quando a viajem acaba.
Talvez eu pare embaixo de uma árvore e
lembre de alguns pedaços da minha vida.
Então eu desista de lembrar, e naquele
momento eu enjoe de toda essa trágica opera humana e pela última
vez tente viver plenamente.
Somos como um peixe tentando respirar
fora da água, amigo, a vida toda.
Apenas eu, uma moto e esse mundo.
Tao pequeno.
Quem sabe eu tenha sorte de pegar dias
ensolarados.
De céu azul.
Ter a sorte de encontrar um campo
verde, verde, verde... sem mais nada além do verde.
E la eu me deite e olhe para o céu e
me afunde no azul.
E meus olhos se encham de céu.
E eu sinta o vento.
Então fecharei os olhos e sentirei ela
bem perto.
E para minha surpresa ela não será
gelada como falam.
Tudo em minha volta será muito
confortante, como um útero.
Não haverá terror, medo e nem sequer
dor.
Sentirei em meu peito apenas um leve
afago!
E então um sentimento de certeza
dominara minha cabeça.
Uma certeza desconhecida, mas um ótima
certeza.
E essa se juntara a todas as outras
coisas que eu pensava que conhecia e dominava.
Como se todos os sentimentos
resolvessem se mostrar de uma forma direta e não mais abstrata.
Então o escuro dos meus olhos
dominaria o mundo.
E esse não existiria mais.
E eu descobrirei que nunca sai do mesmo
lugar.
E que sempre fui a única coisa que
existe.
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