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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

UM PUNHADO DE CULPAS




Tenho um punhado de culpa que eu carrego no bolso

Pra fazer a cabeça.

Pra me desgraça.

Todo impulso é como uma onda batendo contra as rochas

Deixando suas marcas

Moldando o que resiste, com força e violência.

Um punhado de culpas que carrego na cabeça.

Que sai dos cantos da casa.

Que casa!

Dos olhos da mãe, dos olhos de um filho.

Um punhado de culpa dos olhos do mundo.

Agora que estou só, minha cabeça de ancora quer virar pluma.

Só quer.

Não vai conseguir.

Eu não me importo com o mofo da cidade.

Com os estúpidos da volta.

Com meu salário.

Como quem sumiu.

Como quem me odeia.

Com o mormaço do dia.

Eu não me importo.

Eu tenho um punhado de culpa, suficiente para o dia todo...

terça-feira, 19 de novembro de 2013


S-E-R H-U-M-A-N-O



Eu vi um velho cair na rua ontem
Ele desmoronou como uma pedra
Mas o mundo não parou por causa disso
Ele bateu com a cabeça na calçada
Ninguém se importou com o sangue, pois ele fedia.
Eu continuei meu caminho
Ele era um mendigo
Um bêbado
Eu não sou nada disso
Era só um mendigo
Quem se importa?
O mundo não pode parar.



Não há nada pior 

Não tem nada pior do que um soco no ouvido ás 03h23min da madrugada
.
Nada pior do que broxar com aquela gostosa que tem a língua maior que o rabo.
Nada pior que sentir falta de ar à noite e acordar todo suado sem saber a causa disso.
Nada pior que explorar a miséria de uma prostituta viciada em crack, só porque seus “amigos” foram embora e você não quer acabar a festa agora.

Nada pior do que assistir TV aos domingos.
Nada pior do que as estúpidas poesias do ônibus.
Nada pior do que querer chorar e não conseguir.
Nada pior do que maltratar um inocente.

Não há nada pior do que sentir culpa.
Não há nada pior do que a verdade sobre nossas cabeças.
Não há nada pior do que todas as coisas que terminam com “ISMO”.

Nada pior que oficinas, gerentes, professores, políticos, grevistas, pedestres e motoristas.

Nada é pior do que livros de auto-ajuda.
Nada é pior do que auto-ajuda.
Nada é pior do que a mídia, a policia, os três poderes, a religião.

Nada pior do que saber que vamos morrer.
Nada pior do que amar.
Nada pior do que ser um cão abandonado, em um dia de chuva, numa rodovia qualquer.
Nada pior do que ver um atropelamento.
Nada pior do que a revolta daqueles que não tem com o que se revoltar.
Nada pior do que direita e esquerda.

Nada é pior do que trepar embriagado.








POEMA DEFUNTO

È preciso agilidade e rapidez para salvar alguns poemas, esses do avesso, que escrevo.
E será necessário qualquer coisinha pequena e tecnológica.
Mp3, mp4, pen drive...
Para guardar os poemas que guardam muitas coisas que eu não consigo ou não quero guardar.
Inevitável é escrever.
Expressar.
Exprimir.
Faço das lembranças uma pasta zipada, o que nela não guardo deixo nos poemas.
Aberto ao público, para não ser lido, admirado, compreendido ou compartilhado.
É preciso agilidade e uma certa dose de inutilidade e ódio para guardar poemas que já nascem mortos e esquecidos.
Que não falam do belo, poemas sem açúcar ou sal.
È o peso da vida sobre minha cabeça.
O peso de minha cabeça sobre os poemas.
Poemas vampiros, se alimentando dos momentos açucarados, da vida.
Entregam tudo. Nem sempre falam do belo.
E, no entanto não existe um poema que não roube um momento de vida!
Sim vida!
Toda essa incrível força misteriosa que se espalha de todas as formas contaminando tudo a nossa volta.
A imaginação é o seu lar, malditos sonhos, querem substituir nossa alma tão cheia de desprazeres.
Não existe beleza na miséria.
E é só por isso que existem poemas...
Não existe beleza na miséria.
E a vida pouco se importa com isso...
Não existe beleza na miséria.
Poemas defuntos em minha cabeça...
...Comendo pequenos pedaços de vida.


ABOBADOS


Vejam só esses dois abobados.
Trata-se de um homem e uma mulher.
Eles se conheceram quando ainda eram um menino e uma menina.
Eles nem viram o tempo passar.
Vejam só esses abobados.
Brigando por coisas tao insignificantes.
Besteiras tao sem nexo.
Ela não quer que ele beba.
Mas quando o conheceu, estava bêbada.
Ele limita suas roupas, as mesmas roupas que fizeram ele se interessar.
Vejam só o silencio e as caras de bunda.
Repare na bagunça da casa, ambos cobram um do outro uma atitude para a organização.
Veja agora eles em um domingo extremamente quente, de um verão quase insuportável!
Transando feito bicho, suando os lençóis, perfumando o quarto.
O vizinho do prédio ao lado reparou nos gemidos.
Eles querem que o vizinho se foda.
Abobados.
Daqui alguns minutos estarão abraçados, nus e cansados na frente do ventilador.
Ate começarem a decidir quem vai lavar a louça.
E nisso ele a chama de folgada, e ela o chama de machista.
Ambos querem tomar banho.
Idiotas, não percebem que podem fazer isso juntos.
Veja só quanta idiotice sai de suas bocas.
Que todas as noites se encontram em um selinho sem graça.
Dias da semana são cruéis com os casais.
Veja os dois fumando o pecado.
Depois saem para a rua com aquele sorriso ilegal.
Abraçados é claro!
Idiotas.
Encontram alguns amigos na praça.
A praça cheia, crianças, velhos, cães, bancos e balanços.
Como ele se exibi na frente dos amigos.
Vira literalmente um babaca.
Ela, hum, não é muito diferente.
Se junta com outra, qualquer namorada de alguém, e larga a língua para criticá-lo.
Há poucos minutos estavam abraçados.
Lembra?
Ficam ali como dois pavões, tentando demonstrar que não precisam um do outro.
Mas não se tiram os olhos.
Vejam só que abobados.
Voltam a noite e se comem, como se não se vissem a muito tempo.
A louça suja continua la.
Os lençóis são os mesmos.
A noite ainda é quente.
O quarto parece uma sauna.
Então esse dois idiotas, dormem exaustos e sem nenhuma fome.
Não percebem o quanto são felizes.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PERTO DEMAIS DO CÉU




Agora que estamos perto do céu, podemos voltar para casa e sermos nós mesmos.
Voltar a fazer tudo como antes.
Na esperança de um alívio eterno.
Daqui de cima vemos como é o mundo.
O quanto ele é pequeno.
O quanto nos também somos.
Estamos fora das canções, fora dos poemas!
Trocamos beijos e abraços, magoas e carícias!
E retornamos sempre ao mesmo lugar.
Aquele novo velho lugar.
Pois não importa quantos anos nos vamos viver
Todos os lugares serão sempre novos.
Nossa vida é curta demais amigo.
Os cães sacam isso.
Os gatos.
Os grilos e abelhas.
A humanidade é uma velha fábula perdida em um universo de gases e poeira.
Somos uma lição a se aprender.
Somos uma grande lição ao desconhecido.
Girando no cosmos sem nexo algum.
Universos paralelos.
Somos nós.
Cada um dentro de sua cabeça.
Esse é o meu mundo interagindo com o seu.
Você sabe quem está na esquina agora?
Eu não te disse qual esquina!
Aproveite! Depois do ponto final você ira voltar.
Talvez até arrependido.
Mas ira voltar.
Agora.




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

NEM EU!




Então agora você quer uma casa?
Quer uma cozinha mobiliada, um quarto grande e uma king size?
Pra ela você compraria até um colchão de água.
Esta pensando até em um carro.
Parece, meu amigo, que nesse caso a esperança te venceu!
E assim como uma doença que se desenvolve rapidamente, essa esperança já virou amor!
E agora?
Pergunto eu.
Já que você não consegue mais se auto questionar.

Foi realmente cômico!
Você simplesmente venceu um medo de anos como se ele fosse uma barata.
Você agora se acha mais bonito, mais homem...
Confiança é a alma do talento!
A mãe do exagero!
A filha do orgulho!
O amor contamina, incendeia...
Você esqueceu o que acontece quando o amor acaba?
Sim você esqueceu!
Mas sabe de uma coisa amigo?
No seu estado...

Nem eu lembraria.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


POR FIM



Sozinho é o homem em todos os seus momentos.
Enganado e enganadamente feliz.
O homem masculino e o homem feminino.
Um se destrói com os vícios e outro criando os filhos.
O homem no geral.
Luta contra a natureza.
Sugando o doce mel da mais ingênua ignorância, se faz sábio.
O homem inventou a sabedoria.
Mas o que é a sabedoria?
Nada! Ela não é nada!
Pois aquilo que é não se veste tão bem.
Não se esconde nas lendas e nem procura admiração.
O homem imagina a mãe terra.
Por vezes contempla a natureza e se sente amado.
Por vezes sofre com a natureza, e crê ser um castigo pelo que ele interpreta como “mal comportamento.”
Costuma dar vida ao inanimado!
Adora isso!
Fala de sentimentos, do destino, do passado como sem estes existissem, como se fossem reais!
A natureza age quando tem que agir, ela é irracionalmente perfeita!
Não existe ordem no universo!
Estamos jogados no meio do caos!
Esse é o verdadeiro nome do mundo “caos”.
Ha outros como os homens pelo universo?
Sem duvida!
Mas são tao incapazes quanto.
Existem galáxias se esbarrando em galáxias.
Estrelas engolindo mundos.
Buracos negros gelados.
Lindas nebulosas sem vida.
Radiação por todos os lados.
Aqui em baixo somos, taxistas, maconheiros, prostitutas, padres, bailarinas açougueiros, médicos, advogados, etc.
Vivendo uma projeção que imita e tenta suprir tudo o que é real e que não vivemos.





terça-feira, 27 de agosto de 2013

...

MANUAL DE UM SONHO



Não demonstre o que sente quando o que sente é demais...
Demonstre o que quer, deixe bem claro o que você quer.
Faça isso sempre!
Não tente acertar de primeira, ninguém acerta de primeira.
Faça pensando em você, mas mantenha a concentração.
Concentre-se suficientemente para analisar bem.
Quando ela não estiver olhando, esse é o melhor momento, para você admirar.
Mas não admire o obvio.
O obvio todos admiram.
Cuide aonde o olhar dela mora.
Leia seu rosto, por inteiro, boca, olhos, sobrancelhas, testa, queixo...
Veja com o que ela gasta sua atenção.
E se ela derrepente perceber seu olhar, apenas sorria.
Não há mais nada a perder.
Você já está com ela.
Basta apenas preservar.
Aprenda a usar a força delicadamente.
Demonstre certo desinteresse, sem ser esnobe.
Não fale feito um papagaio, mas escute como uma coruja.
Adote uma regra básica: Abra a boca para fazê-la sorrir.
E nos momentos felizes agarre-a com força sem dizer bobagens.
Não se trata de um galo e uma galinha, trata-se de um homem e uma mulher.
Por isso não fale nada, apenas ouça.
Gemidos e suspiros: você os provoca, desfrute dos verdadeiros.
E lembre-se: NADA, mas absolutamente NADA disso ela deve saber!
Ela não tem que saber...
Ela tem que sentir.
Românticos são otários, malandros são estúpidos...
Você é um homem!
Haverá dias em que ela vai se sentir triste ou esquecida, como em um pesadelo.
Nesses dias seja como um chocolate!
Se não funcionar, seja um daqueles bem amargos, para que ela volte à realidade.
E quando ela voltar à realidade, transforme tudo em um sonho novamente.
E vá degustando até que ela parta.
Todas partem.
Mas não se preocupe, logo vira outra!
Aproveite!
Você já sabe o que fazer.
Sim você já sabe.







quarta-feira, 21 de agosto de 2013



MELHORIA CONTINUA


Ele se atirou de costas na parede largando todos aqueles 120kg no chão.
Em seguida apertou com os dedos os olhos e foi descendo limpando o suor do nariz.
O calor era de fuder, e o vento trazia o cheiro podre de algum animal morto que ele não sabia onde estava.
Somente uma brisa abafada pelo mormaço lhe fazia companhia.
Era um patio enorme e lotado de carros recém-chegados da fabrica.
Em um canto perto da cantina, um pavilhão de madeira que mais parecia uma panela quente, estavam três colegas. Era possível ouvir os múrmuros e algumas risadas de longe.
Mas não estavam falando dele, não desta vez.
Ele abriu uma sacola e de dentro retirou metade de um cachorro quente.
Sempre de regime, sempre.
Vestia um macacão branco.
Completamente podre de sujo.
Todos usavam macacões assim.
Ele trabalhava em uma multinacional famosa e eles diziam que o branco era pra mostrar transparência.
Que era diferente, era, nenhuma outra oficina tinha macacões brancos.
Agora o que eles queriam transparecer, ninguém entedia. Talvez fosse a sujeira!
Enquanto comia observava o velho responsável por todos ali, ele era uma espécie de gerente.
Tinha uma cara de louco e estava sentado em uma cadeira branca de plástico em baixo do sol, sol de 38 graus. Puta que pariu! 38 graus! O velho fumava um cigarro e olhava pro nada como se estivesse no inferno. Estava com uma camisa social de mangas compridas e uma gravata preta, tinha gel no cabelo e um sapato já bem usado. O velho estava lá, fumando um cigarro, feito um louco.
Dois colegas seus saíram da cantina trocando tapas e dando risada.
Ele estava na metade da metade do cachorro quente.
Já bem perto um deles, apelidado Cowboy, gritou:
— E ai gordo, o que tem de bom ai.
Ele fechou a cara e começou olhar para baixo:
— Cachorro-quente. — respondeu.
— De novo, puta que pariu hein! É foda não ter mulher! — Disse isso e começou a rir.
O outro riu. Logo estavam sentados ao lado dele:
— Bateu quantas hoje gordo? — Perguntou Cowboy.
— Não enche Cowboy. — Respondeu olhando pra baixo e ainda de cara fechada.
O baixinho continuou a conversa:
— Escuta gordo a gente não tem culpa se tu não pode enxergar teu pau.
— È – Acrescentou, Cowboy rindo.
O que o nosso amigo devia fazer era enfrentá-los, mas ele não conseguia nem sequer olhar no rosto deles. Continuava la, de cabeça baixa, 120 kg de vergonha:
— Escuta gordo, tu nunca comeu ninguém? — Perguntou Cowboy cutucando o baixinho ao lado.
Nosso amigo continuou calado:
— Hum, quem cala consente hein – disse o baixinho.
Alguns outros colegas chegaram, deviam ser uns cinco, formaram um circulo em sua volta todos de pé. O nome de um deles era Nilo. E ele perguntou a Cowboy:
— Tá e ai Cowboy, qualé que vai ser?
— E ai! To aqui trocando uma ideia com o nosso amigo gordo — respondeu Cowboy:
— Tá e ai gordo, vai compra ou não vai comprar um sutiã? — disse Nilo.
Todos começaram a rir, riam sem parar. Nilo acrescentou:
— Olha ali, se o cara corta um pedaço da teta desse gordo da pra acaba com a fome da Africá.
As risadas aumentavam e nosso amigo começava a ficar enjoado:
— Hein gordo, minha sogra de repente tem um sutiãs pra te vende – disse um negro alto mais ao canto:
— Tá mas será que vai cabe nessa jamanta, negão? — Perguntou Cowboy
— Pois é, também tem isso né.— e seguiu rindo.
Nosso amigo começou a se levantar. Era um esforço para ele fazer isso.
Todos pararam de rir e um silencio se fez. Ele não queria olhar para a cara deles mas podia imaginar quais seriam. Suas costas doíam e ele colocava toda a força do corpo em um só braço.
Quando já estava quase de pé deixou cair uma garrafa com o resto de refrigerante no chão:
— Tá loco! — Exclamou Cowboy.
Logo todos, aos poucos, voltaram ao trabalho.
Nosso amigo gordo ainda teria a tarde inteira.
A pior parte era na hora de se trocar no vestiário, onde ficavam todos reunidos.
As vezes seu desodorante não funcionava, bem, seus colegas percebiam isso.





terça-feira, 20 de agosto de 2013


NOITE SUJA

Tente entender a noite amor!
Não precisamos de “nós dois”.
Nós precisamos, um do outro.
Você me acha rabugento apenas por não ter me conhecido antes.
Oh sim... eu já fui um amor de pessoa!
Você me daria razão se conhecesse meu passado.
E se tivéssemos nos conhecido lá, você ainda faria parte do meu presente.
Agora se pra você é tao importante estar comigo, ature-me!
Eu tive muitos amigos quando era mais novo.
Onde estão eles agora?
Tente escutar o barulho das ruas, é o barulho do caos querida!
Cabe a você decidir se gosta ou não.
Você já parou pra pensar o que esses prédios já viram?
O que esses apartamentos já abrigaram?
Não existem pessoas de bem... existem apenas pessoas.
E quem decide se gosta, ou não gosta, é você!
Mas tente entender a noite.
Ela reflete aquilo tudo que escondemos ao dia.
Por anos me alimentei dela.
Dormia o dia inteiro e só saia depois das 18h.
Semanas assim...
E sabe de uma coisa?
Eu não lembro dos motivos, se é que eles existiram!
Eu saia por não ter o que fazer.
Bom hoje tenho contas, casa, filhos e um celular que não serve pra nada e toda hora cai no chão!
Já não saio a noite.
Entro em casa tomo uma cerveja, janto, assassino o banho, deito e durmo.
Mas eu sei o que está acontecendo lá fora.
Ha ruídos, latidos, barulhos e motos.
Posso imaginar o que são cada um desses mistérios.
Ha muito tempo por aqui, que eu não ouço grilos.
Ha muito tempo por aqui, que o tempo não passa.
Os tempos de madrugadas e sujeira se foram para mim.
Eu não ganhei nada com eles.
Eu nem sei se eu queria.
E nao há como virar a página querida!
Isso aqui não é um livro.







...
DO AVESSO


Escrever é fácil.
Difícil é viver de verdade.
Eu sou o avesso do poema.
Eu falo das flores murchas.
Da sujeira das ruas.
Da poluição dos carros.
De domingos nublados.
E não me importo se rima.
Se ficou bonito.
Eu não sou bonito.
Alias... quase ninguém é.
Tente ver o poema no rosto triste de uma criança sendo maltratada.
Na fome através de um corpo seco.
Na senhora gorda, já velha, pedindo esmola.
Podia ser sua mãe.
O poema do centro.
Cinza e sujo.
Completamente doentio.
A facilidade de se passar por um esfomiado, viciado, morrendo lentamente feito um rato envenenado e não se chocar, é toda a nossa poesia.
Os cavalos maltratados com o lombo doido.
As carroças lotadas de lixo.
Pessoas vendendo lixo, por centavos.
Pessoas comendo lixo por fome.
Toma, ta ai a grande poesia.
Todo poema é fantasia.
Não passa de uma mentira bonita.
Eis aqui a realidade.
Eis aqui o poema.
Comparado a esse mundo, nos vamos viver pouco camarada.
Esta ai algo positivo.
É um grande alívio pensar assim.
A maioria pensa em Deus, mas ele não passa de um poema.
Um poema mal contado.
Quanta mentira a nesse mundo.
Quanta lorota.
Tudo para fugirmos da verdade.
Para poder esquecer o feio, nós inventamos o belo.
E esquecemos de nós mesmos.
E já não sabemos mais quem somos.
Já não passamos de um sonho, perdido na realidade.
Escrever é fácil.
Refletir também.
Eis aqui o poema verdadeiro.
Bem diferente de toda fantasia de nossa cabeça doente.





VOCE LERA E TERMINARA ENTENDENDO MAL!


E se de repente você se afastasse dos amigos e se concentrasse em você?
Se desse mais atenção ao seu primeiro filho!
Se desse mais atenção a sua mulher!
Se ajudasse mais a sua mãe!
Se não andasse mais com tanta coisa na cabeça!
Se você parasse de fumar!
Se essa barriga sumisse!
Se acordasse bem, sem muito sono e preguiça todos os dias da semana!
Se voltasse a olhar a cidade com os mesmos olhos de onze anos atrás!
Se parasse de sonhar com as estrelas!
Se fosse apenas você, seus filhos, sua mulher e sua mãe.
Sem fantasmas.
Sem culpas.
Bem mais leve.
Se limpasse a sujeira.
Se não procurasse mais o que tanto te desgasta!
Se esquecesse o mundo!
Você quer chorar quando beija seu filho.
Quando vê os nervos de sua mulher.
Quando se depara com a solidão de sua mãe.
Você tem flashes da infância.
Flashes da adolescência.
Ha partes em sua memória que estão em branco.
Você não sabe se é bom ou ruim.
Se não fosse assim como é?
Se você tivesse grana para fazer todos felizes.
Se fosse menos humano e mais perfeito.
Se tivesse paciência.
Se a magia existisse.
Se um deus fosse certo.
Se morresse e se encontrasse com pessoas maravilhosas do outro lado.
Se o paraíso existisse.
Se o amor realmente fosse um sentimento pleno e não um ideal inconsciente.
Se todos os poetas estivessem certos.
Se o açúcar da vida fosse eterno.
E você não precisasse mais escrever ou compor.
Apenas ser... tudo aquilo... que não é.













478.358.476 POEMA DE AMOR

Eles falam de amor como se este fosse açúcar.
Tao covardes me parecem alguns poetas.
O amor está atrás dos excessos.
Dentro de bares.
Nas noites de sexta.
Por trás dos suicidas.
E não somente em nossos corações.
Não!
Ele está nos olhos e no sorriso de quem se ama.
No final da tarde.
Nas manhas de domingo.
No sorriso de um filho.
Na alegria de uma mãe.
Naquele seu melhor amigo.
No olhar perdido das viúvas.
Nas coxas de sua mulher.
No sanduíche que ela prepara.
E não é uma coisa doce.
O amor é um soro, para tudo aquilo que é a sua ausência.
O mundo real.
O amor é um colapso.
Uma substância que se alastra lentamente.
E quem pode dizer o que é, e o que não é amor?
Feche os olhos e veja!
Ele NAO EXISTE.
É apenas uma sensação, um engano.
Uma projeção.
O amor é uma coisinha mínima dentro de nos!
O que devemos analisar e, refletir, é o quanto essa coisinha mínima nos faz enlouquecer!
Falo de loucura mesmo!
De gente atirada em depressão em manicômios.
Falo de sequestrar a ex namorada e enfiar-lhe um tiro na cabeça!
Do marido traído, que mata seu melhor amigo.
Da mocinha magoada que se suicida!
Tudo isso por uma PROJEÇAO!
Ah o amor... o amor e toda a sua luxuria e hipocrisia.
O que é que não fazemos por essa mentira não é!
Como é fácil louvar o amor!
Dizer que ele é maravilhoso!
Lembro-me de acordar feliz, e ir para a escola sem tomar café.
De ficar com a barriga vazia e ardendo ate as 9:30 da manha quando serviam a merenda!
Eu estava ridiculamente apaixonado.
eu devia ter uns 12 anos.
E o recreio era a hora mais mágica.
Era a hora em que eu a via.
Então guardava aquela imagem o dia todo e procurava lembrá-la antes de dormir, para ver se eu conseguiria sonhar! E muitas vezes sonhava!
E quando eu batia uma punheta eu jamais pensava na minha “donzela”, oh não!
Isso seria um crime!
O amor nos deixa assim meio otários!
Bem hoje em dia ela já possui três filhos e esta do tamanho de uma orca!
Dai eu te pergunto, e o amor?
O AMOR QUE SE FODA!
Já pensou se meu sonho tivesse se realizado e eu tivesse casado com ela?
Bem só narrei esse pedaço idiota da minha vida, para voltar a bater na tecla.
O AMOR É UMA PROJEÇAO, ELE NAO É REAL!
É um sentimento medíocre que nos faz idolatrar uma pessoa qualquer!
Se analisarmos bem veremos que o amor em si não é bonito!
O que é bonito são os atos e atitudes que cometemos por ele!
No entanto.
Somos seus escravos, do amor não podemos fugir.
E eu novamente baixo a cabeça.
Para esse, que no final sempre nos vence.


O FRIO, O ESCURO E O VENTO.

Quem sabe o que acontece em um terreno baldio afastado da cidade ás 23:07 da noite?
Quem pode dizer o que faz os cães latirem e uivarem?
Ninguém pode dizer nada sobre aquele casal, aparentemente feliz, do apartamento 204.
Ninguém vê o que se passa dentro da cabeça de dona Matilde, entrevada em uma cadeira de rodas olhando para o nada, com um sorriso leve e debochado, enquanto seus netos perturbam o sossego dos vizinhos.
Ninguém viu você ontem a noite enquanto uma chuva fina caia sobre os telhados sem fazer barulho, silenciosa como um bandido.
Deitado entre os pais um garotinho sente-se seguro.
Ele está longe de tudo aquilo que não sabe que existe.
Tudo que o aguarda.
Ninguém conhece a solidão daquele velho sujo e pançudo que mora na oficina para a segurança patrimonial do patrão.
Você não sabe a que horas o açougueiro dorme, como ele dorme ou se ele dorme.
Você não pode traduzir os gemidos e miados dos gatos da madrugada.
Ouvem-se rumores e histórias.
Algumas viram lendas.
Muitas não chegam a luz da realidade, ao conhecimento do público.
Longe da hospitalidade fria dos hospitais, muitos outros sofrem.
Ouvem-se os aviões.
O aeroporto é perto.
Cercado de mato.
Por vezes a noite faz-se uma fogueira, sim, existe alguém no escuro.
Existe alguém no mato.
Tanto faz quem seja.
Ninguém quer descobrir.
O que esta perdido vaga por ai.
Mas já esqueceu que ainda vive.
E esquecer da vida é pior do que morrer.
Você não para pra pensar quantos e quantos a madrugada já devorou.
O vento frio e a chuva rala são um anúncio.
O cheiro do ar não é o mesmo de sessenta anos atrás.
Muita coisa mudou.
Os ladroes não roubam mais galinhas.
Os velhos já notaram isso.
Os jovens se arriscam.
Muitos não voltam pra casa.
Outros nem querem voltar.



O SAGRADO MATRIMONIO



No dia em que tudo der errado eu compro uma moto e sumo.
A fim de me de desintegrar de uma vez.
Curioso para saber qual será a última imagem que esses olhos irão ver.
Dormindo os últimos dias em hotéis na beira da estrada.
Comendo em restaurantes modestos e simples, muitas vezes sujos.
Observando a vida.
Desistindo de entendê-la.
Vou levar comigo um mapa múndi, apenas por levar.
Quero parar em um dia quente na beira da estrada, acender um cigarro, abrir o mapa e analisá-lo.
Depois continuar viajando, totalmente sem conhecimento de para onde estou indo.
Assim é a vida.
Um gigantesco mapa com todos os dados e informações necessários para um viajante.
Um mapa múndi que apenas olhamos e analisamos, mas nunca identificamos onde estamos, nunca sabemos onde vamos chegar ou quando a viajem acaba.
Talvez eu pare embaixo de uma árvore e lembre de alguns pedaços da minha vida.
Então eu desista de lembrar, e naquele momento eu enjoe de toda essa trágica opera humana e pela última vez tente viver plenamente.
Somos como um peixe tentando respirar fora da água, amigo, a vida toda.
Apenas eu, uma moto e esse mundo.
Tao pequeno.
Quem sabe eu tenha sorte de pegar dias ensolarados.
De céu azul.
Ter a sorte de encontrar um campo verde, verde, verde... sem mais nada além do verde.
E la eu me deite e olhe para o céu e me afunde no azul.
E meus olhos se encham de céu.
E eu sinta o vento.
Então fecharei os olhos e sentirei ela bem perto.
E para minha surpresa ela não será gelada como falam.
Tudo em minha volta será muito confortante, como um útero.
Não haverá terror, medo e nem sequer dor.
Sentirei em meu peito apenas um leve afago!
E então um sentimento de certeza dominara minha cabeça.
Uma certeza desconhecida, mas um ótima certeza.
E essa se juntara a todas as outras coisas que eu pensava que conhecia e dominava.
Como se todos os sentimentos resolvessem se mostrar de uma forma direta e não mais abstrata.
Então o escuro dos meus olhos dominaria o mundo.
E esse não existiria mais.
E eu descobrirei que nunca sai do mesmo lugar.
E que sempre fui a única coisa que existe.